Saúde mental: benefício ou estratégia?

Durante todo o RH Summit, foi ressaltada a importância da saúde mental dos colaboradores das empresas. Esse foi o tema da palestra realizada por Pedro Shiozawa (COO e cofundador da Jungle): Saúde mental: benefício ou estratégia?

Durante todo o RH Summit, foi ressaltada a importância da saúde mental dos colaboradores das empresas. Esse foi o tema da palestra realizada por Pedro Shiozawa (COO e cofundador da Jungle): Saúde mental: benefício ou estratégia?

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Inicialmente, abordou-se o aumento dos casos de adoecimento mental nas empresas e a preocupação que os gestores devem ter em relação a essa nova realidade.

Hoje, saúde mental não é mais um benefício, e talvez seja uma estratégia para os negócios” – Pedro Shiozawa

A cada cinco colaboradores, um terá algum tipo de transtorno mental até o final do ano. Essa informação trazida pelo palestrante é muito impactante para as empresas, que devem começar a pensar que isso influencia o profissional individualmente, mas também causa problemas ao negócio.

Os transtornos mentais podem causar queda de produtividade, dificuldade para se concentrar, cumprir metas, aprender novas atividades, entre muitos outros problemas de ordem profissional e pessoal.

Além disso, 75% das pessoas não têm um diagnóstico correto de saúde mental. Isso leva a uma grande incidência de presenteísmo, que é a incapacidade do profissional de se dedicar completamente às suas atividades no trabalho.

Outros dados sobre saúde mental que foram trazidos e chamam a atenção pelos impactos que podem causar às empresas são:

  • Cerca de 50% dos pacientes abandonam o tratamento;
  • Problemas de saúde mental são a primeira causa de afastamento do trabalho no Brasil;
  • Os gastos com saúde mental no mundo são maiores do que com o câncer;
  • A previsão é que em 2030 os gastos com saúde mental sejam maiores do que com diabetes e hipertensão.

Durante este período de pandemia, as pessoas acabam tendo quatro vezes mais chances de ter sintomas depressivos ou ansiosos. Esses sintomas são ainda mais frequentes na população economicamente ativa, isto é, nos colaboradores que fazem parte das equipes das empresas.

O palestrante disse ainda que as Nações Unidas já demonstram uma grande preocupação com o tema:

“Mesmo após o controle da pandemia, a ansiedade e a depressão continuarão a afetar as pessoas e as comunidades” – António Guterres

Foi destacado que a ansiedade não é necessariamente uma vilã, afinal, ela faz parte da vida das pessoas. Quando fazemos uma entrevista de emprego, ficamos mais ansiosos e, então, preparamo-nos melhor e estudamos mais. Dessa forma, podemos entender que a ansiedade é algo que motiva as pessoas a aumentarem o seu desempenho.

Normalmente, é possível trabalhar com isso. Os colaboradores têm que lidar com metas e cobranças. Com a ansiedade, eles conseguem digerir isso de maneira criativa e construtiva. No entanto, há um limite.

Existe um pico máximo de ansiedade que cada indivíduo consegue suportar sem desenvolver sintomas. Quando esse pico é atingido, eles começam a aparecer e causam a queda de produtividade no trabalho.

A pandemia aumentou a quantidade de problemas e preocupações, o que faz com que a ansiedade atinja o seu limite e comece a apresentar sintomas de irritação, distúrbios de sono e dificuldade de reter memória.

O palestrante ressaltou a importância da atividade de uma região do cérebro chamada córtex pré-frontal. Ela é responsável por fazer a adaptação necessária para que as pessoas consigam se planejar e achar alternativas para os problemas.

Em tempos de pandemia, o córtex pré-frontal pode atingir o seu limite. Isso acontece mesmo com pessoas muito funcionais. A capacidade máxima do cérebro de achar soluções e dar respostas criativas acaba sendo ultrapassada, e isso gera os sintomas.

“Nem toda ansiedade é doença, mas, em tempos de pandemia, ela pode levar à disfunção e à queda da performance” – António Guterres

O palestrante ressaltou que todos os quadros ansiosos têm tratamento; às vezes, eles são até mais simples e possuem uma natureza mais prolongada. A boa notícia é que esses tratamentos têm uma alta eficácia.

Atualmente, as pessoas não conseguem mais pensar em coisas que faziam anteriormente, como ir a um show, por exemplo. A rotina de agora é o isolamento, o home office… É claro que temos a esperança de que tudo volte ao normal, mas devemos saber que isso não vai acontecer da mesma forma que acontecia antes.

As mudanças no dia a dia são marcantes e os colaboradores têm outras questões para se preocupar, como com seus familiares que adoeceram, que perderam o emprego, o medo da vacina e a impossibilidade de viajar, por exemplo.

Isso funciona como um copo de água que vai enchendo até transbordar. É nesse momento que o gestor deve ficar atento para definir as melhores estratégias e ajudar a sua equipe a continuar performando bem.

É preciso reconhecer o problema com base em informações concretas. Isso pode ser feito por meio de questionários, reports, métricas e uma atenção especial ao que acontece no ambiente de trabalho.

Também é essencial que se conheça os riscos e fatores que levam ao adoecimento mental dos colaboradores. É importante buscar palestras e ter uma difusão clara do conhecimento. A equipe como um todo deve saber o que é ansiedade e burnout.

Ao reconhecer o problema e conhecer mais a fundo sobre ele, é possível criar e modificar o ambiente de trabalho e a cultura da empresa, de modo que as pessoas possam ter mais facilidade em falar o que estão sentindo.

Uma boa estratégia, nesse sentido, são as ferramentas tecnológicas. Elas são ancoradas na ciência e ajudam a identificar problemas, gerar relatórios e dar a base necessária para executar estratégias de tutoria, suporte e palestras.

O gestor precisa saber como está o perfil da equipe. Ele é o piloto que deve ter as ferramentas necessárias para tomar as melhores decisões. Tudo isso fará com que o ambiente de trabalho seja mais saudável e propício para melhorar a performance dos colaboradores.

“A gente tem que promover saúde no ambiente de trabalho” – António Guterres

Segundo o que foi abordado na palestra, falar sobre saúde mental é essencial, assim como criar um ambiente de cultura onde é possível entender esse tipo de problema. Isso permite que haja uma mudança de mindset no local de trabalho, aumentando a aderência aos tratamentos e quebrando os tabus do adoecimento mental.

“Temos tudo para lidar com essa pandemia e chegar a pontos até melhores do que antes” – António Guterres

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