Podcast Mamilos ao Vivo no RH Summit 2021 by Flash Benefícios: Como ter conversas difíceis

No final do terceiro dia de RH Summit, Ju Wallauer e Cris Bartis, cofundadoras da B9 Company e diretoras executivas do Mamilos, deram uma aula sobre as melhores formas de conexão com as pessoas por meio de conversas no Podcast Mamilos ao Vivo no RH Summit 2021 by Flash Benefícios: Como ter conversas difíceis.

No final do terceiro dia de RH Summit, Ju Wallauer e Cris Bartis, cofundadoras da B9 Company e diretoras executivas do Mamilos, deram uma aula sobre as melhores formas de conexão com as pessoas por meio de conversas no Podcast Mamilos ao Vivo no RH Summit 2021 by Flash Benefícios: Como ter conversas difíceis.

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A primeira questão levantada na conversa foi a de como as pessoas se sentem ofendidas quando falam sobre política, religião, animais, novela das oito… Quando a discordância do outro acabou parecendo muito errada, muito incômoda ou, até mesmo, muito “burra”?

“Propor conversas é sempre um processo delicado” – Cris Bartis

 

Com esse pontapé de entrada, a dupla comentou sobre o Mamilos e o quanto aprenderam. Elas já receberam mais de seiscentos convidados muito diversos e contam com uma audiência de milhões de pessoas.

O diálogo requer não só falar e escutar, mas também ações que vêm dessa troca. É importante pensar sobre o que falou e sobre o que ouviu, e como isso muda algo em nós mesmos, como nos enriquece.

As trocas devem estabelecer conexões, e é preciso partir do pressuposto de que todos sabem de alguma coisa. Isso faz com que as pessoas consigam se enriquecer por meio do diálogo e aprender mais.

Ao longo da conversa, as carismáticas Ju Wallauer e Cris Bartis também abordaram a questão do desgaste que as conversas podem trazer. Nesse momento, alguns questionamentos apareceram:

  • Por que é tão difícil conversar?
  • Por que receber e entregar é um processo doloroso?

 

Não é porque falamos desde a infância e conversamos todos os dias que é fácil estabelecer diálogos!

Existem alguns processos comprovados para mostrar que talvez você não esteja falhando tanto nas suas conversas. Há um trabalho árduo para que elas sejam mais leves, tranquilas, agreguem coisas boas e nos tragam reflexões.

O primeiro deles é o raciocínio motivado. O nosso pensamento é impregnado de emoções. Antes de haver o sentimento, existem as sensações. Esse processo se chama racionalização das sensações, e está absolutamente ligado ao nosso instinto de sobrevivência.

O raciocínio motivado nos ajuda na vida, de modo a nos proteger de situações de perigo. Se vemos um leão na rua, primeiro saímos correndo e depois vamos parar para pensar sobre o que aconteceu. Se pensássemos antes de agir em situações como essa, certamente estaríamos correndo grande risco.

Agora, se formos colocar o raciocínio motivado em relação ao diálogo, temos conversas improdutivas. Empurramos o que é ameaçador para longe e buscamos informações que nos levam para um lugar de conforto. As informações novas assustam e nos ameaçam, como o leão do exemplo anterior.

Nesse momento, pensamos em trazer informações amigáveis para nós mesmos. Assim, conseguimos a validação das nossas convicções e acabamos tornando a conversa unilateral. A partir desse sentido, o raciocínio motivado não é tão positivo assim.

Um segundo ponto que também acaba dificultando o diálogo é a questão da afirmação da identidade. Quando alguém nos fala algo que não conhecemos ou que é diferente das nossas convicções, nosso primeiro instinto é combater essas informações.

Afinal, não conseguimos lidar com a ideia de jogar fora o que sabemos, o que acreditamos e o que fazemos desde sempre. Isso faria com que nos questionássemos sobre quem somos – e pior! Se quem somos não está correto ou adequado.

Para assegurar que a afirmação da identidade não se torne um grande problema, precisamos ter respeito nos diálogos. Quando nos sentimos respeitados, não precisamos questionar os aspectos mencionados.

“Queremos saber que quem somos no mundo tem valor” – Cris Wallauer

 

Muitas vezes, as pessoas (e até o próprio profissional de RH) trazem uma grande diversidade de dados, fontes, informações embasadas e estudos. Pensa-se que, fazendo isso, sendo claro e explicando de forma fundamentada, as pessoas vão entender e aceitar a informação.

Porém, isso nos leva para outro ponto que dificulta a comunicação: o viés de confirmação. Quando alguém nos traz uma informação embasada, mas com a qual nós não concordamos (ou até mesmo uma orientação que muda a nossa rotina e deixa a nossa vida mais difícil), tentamos combatê-la com outros dados que digam o contrário.

Um exemplo prático é quando o profissional de RH manda um e-mail com alguma nova regra de conduta ou de segurança de dados. Mesmo que esse e-mail mostre todos os motivos pelos quais a mudança deve ser feita, o cérebro do colaborador entra em um viés de confirmação, e ele lembra de tudo que contradiz a nova orientação.

Por fim, outra questão que torna as conversas mais complicadas é a crise de representatividade pela qual estamos passando. As instituições que mediavam as nossas relações, como a Igreja e a família, estão sendo postas em xeque. Isso faz com que as pessoas se tornem mais céticas e cínicas quanto ao que lhes é falado ou orientado a fazer.

Ter uma conversa produtiva necessita do mindset adequado de que é mais importante construir pontos do que prová-los. É preciso sentar na mesa para entender melhor o que os outros pensam e tentar explicar o porquê de pensarmos o contrário.

Nesse encontro genuíno é que as mudanças acontecem. É necessário haver uma conexão verdadeira, assim, não nos sentimos ameaçados e acabamos por nos experimentar para além dos nossos muros.

Conversar não é fácil e nem simples porque envolve o outro, que tem um universo inteiro dentro dele. Tudo pode ser questionado e duvidado, mas o que faz com que o diálogo seja bom para as duas partes depende do contexto e da forma com que nos comunicamos.

Temos que tomar cuidado para não acionar gatilhos, como os que foram abordados ao longo deste texto. As pessoas, muitas vezes, são como bombas que podem ser ativadas a qualquer momento se não tivermos cautela.

Isso não quer dizer que não podemos falar mais nada; pelo contrário. Tudo pode e deve ser dito! São assim que as mudanças ocorrem, com propostas e diálogos. Porém, é preciso saber como conversar; não convencer, mas dialogar. 

É preciso escutar e trabalhar com valores. Não adianta chamar alguém para conversar e não ouvir verdadeiramente o que a pessoa tem a dizer. Precisamos ser capazes de suportar quando alguém expressa como se sentiu ao final da nossa fala.

É necessário estar verdadeiramente interessado no que o outro tem a falar. Tem que haver um esforço mútuo, e não uma encenação sobre o que dizer e como argumentar. Precisamos cortar a lógica do cabo de guerra!

Partindo para um momento mais propositivo da conversa, a dupla trouxe alguns pontos importantes que podem ajudar as pessoas a terem conversas com mais conexão.

 

O primeiro é que não devemos ser multitarefas. Para conversar com alguém e estabelecer um bom diálogo, é preciso estar presente e ter uma escuta ativa. O foco na conversa é muito importante. Assim, podemos mergulhar no outro e ser totalmente dele naquele momento.

Outra questão importante é não ficar dando lições à pessoa. Devemos estar abertos e mostrar que também somos um ser humano. Não podemos ter medo de parecermos fracos. É possível admitir que erramos e que a outra pessoa tem razão, por exemplo.

O terceiro ponto diz respeito a fazer perguntas abertas. Devemos fazer perguntas sem ironias e julgamentos, questionando com interesse em saber as respostas e dar a oportunidade para o outro explicar sem travar o diálogo.

Além disso, é necessário deixar fluir a conversa. Não devemos interromper uma pessoa enquanto ela fala. Ela deve ser capaz de completar o seu raciocínio sem interrupções. Caso você não tenha tempo para ouvi-la, seja transparente e diga que naquele momento não pode conversar. 

O quinto ponto é: caso você não saiba de algo, assuma que não sabe e pergunte. Boa parte dos conflitos nasce quando presumimos as coisas. Não há problema em perguntar o que uma pessoa quis dizer. Se o outro falou algo que te magoa, faça perguntas e esclareça as coisas.

Mais um ponto importante tem a ver com não contar a sua experiência o tempo todo. Isso desloca o assunto para você, de modo que a conversa não é mais sobre a pessoa que te procurou, mas sim sobre a sua vida. Se você fizer isso, a conversa se torna uma palestra.

Por fim, um último aspecto importante diz respeito a ser acessível. É preciso adequar a linguagem de acordo com a pessoa com quem você está falando. Se livre de termos de difícil compreensão ou palavras em outros idiomas. 

 

Você não precisa ser condescendente, mas também não precisa se apoiar nessas muletas para mostrar superioridade. A conversa deve estar em pé de igualdade e ter um nível horizontal, não vertical.

É preciso ter curiosidade no processo da conversa. Dessa forma, você consegue explorar o universo do outro e gerar conexão. Devemos promover o encontro para chamar as pessoas para dentro de um diálogo.

Nós não vivemos sozinhos. Quanto mais conexões tivermos, melhor será o mundo!

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