Mudança de comportamento

O primeiro dia do RH Summit também contou com a presença de Ana Minuto, CEO da Minuto Consultoria Empresarial & Carreira, que apresentou a palestra Mudança de comportamento, com a curadoria de Marc Tawil.

O primeiro dia do RH Summit também contou com a presença de Ana Minuto, CEO da Minuto Consultoria Empresarial & Carreira, que apresentou a palestra Mudança de comportamento, com a curadoria de Marc Tawil.

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No começo, Ana falou um pouco sobre o seu projeto Potências Negras, que auxilia pessoas negras a se desenvolverem no mercado de trabalho. O foco desse projeto é pessoas negras e levar informações para outras pessoas negras, as quais compõem 56% da nossa população.

Marc questionou a palestrante se a equidade racial é moda por conta do movimento Black Lives Matter, e ela respondeu que a luta começou há muitos anos, sendo que o que mudou foram as formas de se comunicar e passar as informações.

O que antes era feito por meio da política, por exemplo, agora chega à televisão, ao rádio, à internet… a falta de uma internet de qualidade para os brasileiros também é uma preocupação, pois faz com que a comunicação acabe ficando limitada.

Também foi ressaltado que a conscientização e a busca pelo respeito é uma jornada, e que só conseguimos aprender quando nos colocamos na posição de ouvintes.

Marc pediu para que a palestrante fizesse uma explanação sobre o papel do aliado nas empresas ao convocar ou contratar pessoas negras. Na visão de Ana, aliados são pessoas que entendem que é necessário agir para obter um mundo mais diverso e realmente realizam ações para que isso aconteça.

Além disso, o aliado precisa ter a responsabilidade de entender que também pode ter preconceitos e agir com um viés racista às vezes. Ele deve ter essa compreensão e saber que é preciso se atualizar e saber que é possível dividir o mesmo palco com uma pessoa negra.

Não é necessário sair um branco para que um negro entre. Deve-se pensar em prosperidade e abundância quando se fala em inclusão. É preciso ter um mindset de receber novas ideias, novos conhecimentos, colaboração e conhecer novas culturas.

O curador mencionou um dado muito importante: pesquisas realizadas por volta do ano de 2010 constataram que a cada 100 CEOs, apenas 0,5 eram mulheres negras. No entanto, isso tem mudado, especialmente por volta de um ano para cá.

Com base nessa reflexão, Marc questionou a palestrante se essas mudanças realmente vieram para ficar ou se isso era passageiro, como uma espécie de racial washing.

Ana respondeu que existem três tipos de empresas: as que são engajadas, as que fazem token com negros e as que não estão falando de diversidade e inclusão. É preciso que todas elas entendam que trazer diversidade e inclusão é uma forma de se manterem vivas no mercado.

Os talentos buscam empresas que têm diversidade e inclusão, pois, nessas empresas, eles de fato podem ser ouvidos. Se as empresas não fizerem isso, certamente perderão talentos.

As que buscam por diversidade e inclusão estão minimamente dez anos à frente do que as que estão pensando em fazer isso ou que nem pensam em fazer.

Durante a palestra, Marc perguntou a Ana se ela poderia explicar como funciona o recrutamento quando falamos sobre diversidade e inclusão. A palestrante disse que, para começar a fazer isso, seria necessário pensar em quatro pontos muito importantes:

  • Fazer uma revisão cultural dentro da empresa;
  • Reconhecer o preconceito;
  • Desenvolver pessoas negras que já atuam na empresa para que ocupem cargos de liderança;
  • Verificar se não está inserido em uma bolha sem diversidade.

Em relação ao quarto ponto, Ana traz uma reflexão necessária a todos. Se as pessoas acham difícil contratar pessoas negras para cargos de liderança, será que há uma pessoa negra no seu grupo de amigos?

Será que essas pessoas se relacionam com pessoas negras, ou será que estão dentro de uma bolha e por isso não conseguem indicações de pessoas negras?

“O que eu, dentro da minha realidade, tenho que fazer para me relacionar com pessoas diferentes de mim?” – Ana Minuto

Ana destacou que o nosso objetivo deve ser sempre entrar em uma bolha diferente para entender pontos de vista diferentes.

Ao longo da palestra, outra pergunta importante foi feita à palestrante. Ela foi questionada se o Brasil estava atrasado em relação ao mundo no que tange à questão racial.

Ana respondeu que o Brasil é único. Temos 521 anos de história, sendo que 74% desse tempo foi passado durante um processo escravocrata. Dessa forma, ainda estamos evoluindo e não há como comparar o Brasil com outros países.

“Quando a gente pensa na nossa realidade, estamos avançando. Quando pensamos no mundo, estamos atrasados” – Ana Minuto

Por fim, Marc questionou como começar a fazer uma transformação nesse cenário. Ana disse que é preciso focar em alguns pontos importantes para fazer isso:

  • Sempre estar disponível para ouvir histórias diferentes;
  • Saber que perguntas mudam o mundo e não respostas;
  • Estudar para aprender a reprogramar os próprios vieses racistas.

A palestrante afirmou que o processo é contínuo e que é preciso focar no autoconhecimento para entender quais são os vieses e desafios, e na autoresponsabilidade para agir.

“A questão é ter coragem de fazer o que tem que ser feito, como tem que ser feito e na hora que tem que ser feito” – Ana Minuto

Por fim, a palestrante deixou uma mensagem para os ouvintes do evento: “Se esvazie um pouco de você para se encher um pouco do outro. Quando a gente tem coragem de fazer isso, a vida fica mais divertida, mais leve, e a gente consegue realmente realizar a diversidade e inclusão”.

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